livroseflores@outlook.com.br Image Map

Resenha: Noite Sobre as Águas – Ken Follett




Setembro, 1939. Poucos dias após o Reino Unido declarar guerra à Alemanha, um enorme hidroavião está prestes a partir da costa sul da Inglaterra. A aeronave mais luxuosa do mundo tem como destino Nova York, no que deve ser o último voo civil a sair da Europa antes do conflito. A bordo dela encontram-se tanto a nata da sociedade quanto a escória da humanidade. Contudo, não é apenas a guerra que motiva os passageiros a deixar o continente: eles também querem se distanciar do próprio passado. Confinados por trinta horas em meio a todo o conforto, porém numa época em que voar ainda é um empreendimento arriscado, eles veem a travessia do Atlântico se tornar uma viagem de crescente angústia, com perigos inesperados que os conduzem a uma tempestade de violência, intriga e traição. Em Noite sobre as águas, Ken Follett exibe mais uma vez sua escrita magistral ao narrar as histórias dos mais diferentes personagens e fazê-las colidir neste emocionante voo cinco estrelas...

Faz já algum tempo que tinha vontade de ler algo do Follett, afinal amigos e blogueiros que acompanho e que já haviam lido algum livro dele só tecem elogios. Até tenho outros livros dele, mas até pouco tempo não tinha ainda matado essa vontade. E agora estou muito feliz por tê-la matado!

Noite sobre as águas é um drama muito bem escrito com personagens maravilhosos. A história se passa a bordo do luxuoso Boeing B-314, o Clipper, um hidroavião transatlântico que existiu realmente, mas todos os passageiros e tripulantes são fictícios, conforme nos avisa previamente o autor.

Esse avião fazia uma rota entre o a Europa e os EUA e suas atividades foram suspensas quando Hitler invadiu a Polônia, em plena 2ª Guerra Mundial, que serve de plano de fundo para os acontecimentos da história em questão. No momento em que a história se inicia o Reino Unido declarou guerra à Alemanha alguns dias atrás e se trata de uma derradeira e fictícia viagem do Clipper.

Eu já tinha certa noção, de tanto ler e ouvir sobre, de como o Follett consegue criar personagens maravilhosos e incorporá-los de uma forma que eles e a história em si parecem reais e como fiquei entusiasmada com o quão certo estão todos os que me informaram isso. Nossa, todos os personagens tinham razão em existir, mesmo que no momento em que eles apareciam não parecesse, no final tudo se encaixou direitinho.

A trama se passar dentro de um avião e com espaço delimitadíssimo, mas aos poucos vamos vendo que isso não foi problema para o desenvolvimento do drama. Os personagens estão fugindo, seja da guerra, de problemas, ou em busca de nova vida, e estão assustados com o que os esperam do outro lado do Atlântico e, principalmente, com a travessia em si.

São muitos personagens na história, mas a trama se foca em um pouco mais de 15 personagens e podemos conhecê-los melhor. Cada um tem seus motivos para terem entrado no avião e apesar de num primeiro momento perecer que seus problemas não possuem nenhuma relação, depois percebemos que tudo faz parte de um problema maior e que várias das histórias possuem elementos em comum.

Adorei como ele faz com que todos tenham seus pontos fortes e fracos, não existe um vilão propriamente dito, nem mocinhos inocentes, cada um e todos têm seus pontos fracos e fortes. Achei isso fenomenal, é tão bom sair daqueles estereótipos do bem x mal.

De todos os personagens teve aqueles que se destacaram mais para mim e que me fizeram torcer por eles, mas teve momentos em que acabava querendo mudar de lado, de tão envolvida que estava e em como estava me deixando envolver pelos acontecimentos, rsrsrsrs.

Recomendo muito para quem gosta de histórias bem desenvolvidas e que prendam o leitor ao drama em desenvolvimento. O único ponto fraco que considerei foi porque não parecia que a história estava se passando na Segunda Guerra, esse ponto ficou esquecido.