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Resenha: A última carta do tenente - William Douglas






O que você faria se tivesse apenas doze horas de vida? Em 12 de agosto de 2000, um acidente com um submarino nuclear russo chocou a humanidade: cento e dezoito marinheiros ficaram presos quando o submarino Kursk afundou no mar de Barents, no norte da antiga União Soviética, após duas grandes explosões causadas por falhas em seu sistema de lançamento de torpedos. Após noticiado o acidente e o naufrágio houve grande comoção da opinião pública mundial, desejosa de que fosse constituída uma operação de resgate para salvar aqueles homens. Depois de algum atraso em aceitar a ajuda ocidental e muita pressão internacional, o governo russo finalmente cedeu e navios de várias bandeiras tentaram o salvamento. Quando os primeiros mergulhadores chegaram à carcaça do submarino, contudo, não havia mais esperança, todos os tripulantes já estavam mortos. Após abrirem uma janela no casco, os mergulhadores depararam-se, inicialmente, com quatro corpos. No bolso do uniforme de um deles foi encontrada uma mensagem, uma carta que, ao contrário do que se esperava, não relatava o acidente, mas era dedicada a sua esposa. A carta relatava a agonia dos vinte e três tripulantes que permaneceram vivos por algumas horas (ou talvez até um dia) após o naufrágio do submarino, e foi redigida por tato, revelando que os últimos momentos dos marinheiros foram passados em total escuridão. Este livro é uma coletânea dos ensinamentos, descobertas e emoções que poderiam estar escritos na carta, descoberta no bolso de um dos marinheiros mortos para sua esposa.


A Última Carta do Tenente foi escrito por William Douglas e publicado em 2016 pela Editora Planeta. A obra possui 128 páginas e a diagramação está impecável! As letras possuem ótimo tamanho e bom espaçamento, o que torna a leitura mais dinâmica.

Esse livro é uma ficção sobre um fato histórico real. Isso foi o que mais me chamou a atenção na hora de escolhê-lo para resenhar.

A obra é baseada na história de um tenente que estava em uma missão num submarino em 1943 durante a Segunda Guerra Mundial. Nesse período, ocorreu a batalha Kursk entre os alemães do Terceiro Reich e os vermelhos soviéticos. O submarino do tenente foi atacado, restando a ele e à tripulação somente doze horas de vida. Na operação de resgato, foi encontrada uma carta junto aos corpos.


Já o tenente do livro está em uma missão em 12 de agosto de 2000 quando seu submarino sofreu um acidente nuclear. Então, o tenente resolve escrever uma carta em suas últimas horas de vida. 

No início da obra, o autor expõe os fatos históricos que julga serem necessários para a compreensão da obra como um todo. 

Achei isso muito atencioso da parte do autor, visto que, apesar de eu saber sobre a Segunda Guerra Mundial, muitos detalhes passam despercebidos com o tempo. Esse capítulo inicial fez eu relembrar de pontos importantes para o embasamento e ambientação da história.



Como eu disse anteriormente, a diagramação está impecável! A capa tem tudo a ver com o conteúdo da obra, as letras possuem bom tamanho e espaçamento e a decoração da história é MUITO interessante! A medida que o narrador avança na história, a água do submarino vai subindo as páginas, até tomá-las completamente. Dando ao leitor a sensação de estar imerso no oceano junto com o tenente.

A Última Carta do Tenente é um livro intenso, cheio de emoção e sensibilidade. Trouxe-me muitas reflexões sobre como lidamos com quem amamos e sobre a vida em geral.

Além disso, é um livro muito inteligente. O autor utilizou muitas metáforas geniais. Não sei nem descrever tudo que senti com a leitura. Com certeza vale a pena dar uma chance a essa obra!

Uma curiosidade é que o autor é brasileiro! Pelo nome, achei que fosse estrangeiro. William Douglas é juiz federal e professor universitário no Rio de Janeiro. Bacana, né?!