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Resenha: Revival - Stephen King



Em uma cidadezinha na Nova Inglaterra, mais de meio século atrás, uma sombra recai sobre um menino que brinca com seus soldadinhos de plástico no quintal. Jamie Morton olha para o alto e vê a figura impressionante do novo pastor. O reverendo Charles Jacobs, junto com a bela esposa e o filho, chegam para reacender a fé local. Homens e meninos, mulheres e garotas, todos ficam encantados pela família perfeita e os sermões contagiantes. Jamie e o reverendo passam a compartilhar um elo ainda mais forte, baseado em uma obsessão secreta. Até que uma desgraça atinge Jacobs e o faz ser banido da cidade. Décadas depois, Jamie carrega seus próprios demônios. Integrante de uma banda que vive na estrada, ele leva uma vida nômade no mais puro estilo sexo, drogas e rock and roll, fugindo da própria tragédia familiar. Agora, com trinta e poucos anos, viciado em heroína, perdido, desesperado, Jamie reencontra o antigo pastor. O elo que os unia se transforma em um pacto que assustaria até o diabo, com sérias consequências para os dois, e Jamie percebe que “reviver” pode adquirir vários significados.


Quem me conhece sabe o quanto amo os livros do Stephen King, mas meu top 10 é montado com livros mais antigos dele porque, para mim, são as melhores criações dele. Mas é claro que não deixo de acompanhar os livros mais novos, só não leio todos, e ainda carrego o pecado de nunca ter lido a série A Torre Negra.

Mas falando sobre o livro Revival, desde o momento em que o mesmo foi anunciado fiquei muito interessada em ler, afinal ele falou sobre ter se influenciado em H. P. Lovecraft e Mary Shelley, nem preciso dizer como gosto dos contos do Lovecraft e como considero essencial a leitura de Frankenstein. Então juntar isso, mais o talento do mestre não podia como decepcionar, essa afirmativa é quase certa.

"A ideia para este livro está na minha cabeça desde que eu era criança. Frankenstein, de Mary Shelley, foi uma grande inspiração para mim. Eu queria criar uma história o mais humana possível, porque a melhor maneira de assustar o leitor é fazê-lo gostar dos personagens." 
- Stephen King em entrevista para a revista Rolling Stone.

"O final deste livro foi considerado o mais assustador que Stephen King já escreveu - o que é impressionante, já que se trata do autor de Carrie, a estranha." 
- The Guardian.

"Ler Revival é ver um grande contador de histórias se divertindo ao máximo. Todos os elementos favoritos de King estão presentes: uma cidade pequena no Maine, o sobrenatural, o mal, o vício e o poder de se transformar uma vida." 
- The New York Times.

Podem pensar ‘Como ela deu 5 estrelas se o livro não atingiu suas expectativas?’. Ele não é um dos melhores do King, mas ainda é um livro fenomenal.

Vamos ao livro:

A história é contada por Jamie Morton, já na sua velhice, mas que inicia nos contando como aos 5 anos de idade encontrou pela primeira vez Charles Jacobs, seu quinto personagem. E desde o primeiro momento eles sentem que há algum tipo de ligação entre suas vidas.

“De certa maneira, nossa vida parece mesmo um filme. Família e amigos formam o elenco principal. Vizinhos, colegas de trabalho, professores e conhecidos são os coadjuvantes. Tem personagens com participações curtas... Por fim, milhares de figurantes passam pela nossa vida como água pela peneira... 

Às vezes, porém, entra em nossa vida alguém que não se encaixa em nenhuma dessas categorias... No cinema americano, esse alguém é chamado de quinto personagem, ou agente de mudança.” p. 9.

Charles Jacobs chegou na comunidade onde o pequeno Jamie vivia para substituir o reverendo em suas funções, era um jovem casado e com um filho pequeno, mas sua maior fascinação era a eletricidade e em como utilizá-la de forma teórica e prática.

O reverendo Jacobs fica na comunidade até certo acontecimento fazer com que ele perca a fé em Deus e que haja algum sentido na vida e profere o que passa a se chamar O Sermão Terrível, sendo logo após demitido de seu ofício e vai embora da cidade.

A partir de então Jamie passa a contar sobre sua vida a partir de então e de como descobriu que gostava de tocar violão e depois guitarra e como isso o levou a uma vida na estrada em várias bandas e como se envolveu com drogas, além de seu afastamento da cidade e a família.

Até que muitos anos depois, já no fundo do poço, Jamie reencontra com seu quinto personagem e como isso muda, novamente, o rumo da sua vida. E como ele deseja que Charles Jacobs nunca tenha entrado em sua vida, em consideração ao que o aguardava ao fim daquela jornada dos dois juntos.

Nesse livro, King consegue criar uma história que poderia ser algo real, pra não perder o costume. Mas mesmo assim há algo bastante inovador e impressionante na narrativa, ele conseguiu mesclar muito bem o terror cósmico de Lovecraft com a ideia de reviver algo bestial da Shelley. 

Contudo, existem momentos da narrativa que parece que não chegaremos a lugar nenhum e se torna muito arrastado. Parece demais que ele quis dar algumas voltas antes de chegar ao cerne da questão.

Só que quando ele finalmente decide nos levar à questão central do livro, parece que estamos dentro da história e que não conseguiremos sair sem algum dano. E isso compensa demais o que não em agradou tanto no livro.

Repetindo, mesmo não sendo uma das melhores do King, para mim, é leitura obrigatória para quem gosta de como o King escreve e quer se arriscar a conhecer horrores nunca imaginados!! Boa leitura =D