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Resenha: Os três - Sarah Lotz




OS TRÊS
Editora: Arqueiro
Autor: Sarah Lotz
ISBN: 978-85-8041-269-7
Ano: 2014
Páginas: 391
Tradutor: Alves Calado

Sinopse: Com algumas horas de diferenças quatro aviões caem, em regiões diferentes do mundo, fazendo inúmeras vitimas - esta catástrofe fica conhecida como Quinta-Feira Negra. Mesmo parecendo impossível, diante dos escombros, surgem três sobreviventes, em aeronaves diferentes, e junto deles uma gravação que vai mudar o rumo da humanidade. Após os acidentes, todos se mobilizam na busca da causa que levou as quedas. Há todo um sensacionalismo em torno das quedas e dos sobreviventes, que são apenas crianças. Será este o sinal dos fins dos tempos?

O livro Os Três é o primeiro e único livro da autora Sarah Lotz, não encontrei nada que fale sobre a autora na internet e o próprio livro só traz os agradecimentos, não há nem foto da Sarah Lotz na contracapa, nem uma biografia simples.

Tanto a capa como as laterais do livro são totalmente pretas. Creio que tem a ver com a caixa preta de um avião, ainda que a caixa preta seja da cor laranja. Há quatro riscos vermelhos em alto relevo, o nome do livro e da autora também estão em alto relevo. 

Dentro dos riscos, que representam os quatro aviões caíram, tem a imagem das crianças sobreviventes. Tem, ainda, uma conspiração sobre um quarto sobrevivente, mas como nada é provado o quarto risco é preto.

O livro Os Três é um documentário de uma edição comemorativa do livro que fala sobre a estória dos sobreviventes, dois anos depois da catástrofe. O documentário é escrito por uma personagem cujo nome é Elspeth Martins, que trará novas descobertas após esses dois anos.

O documentário é dividido em dez partes e dentro delas tem entrevistas que vão variando. A estória não é retilínea, cada hora é um personagem diferente falando como foi o acidente, como é viver com um dos sobreviventes, como era a vida das pessoas que morreram no acidente, etc. 

Dentro das entrevistas tem conversas em chat, gravações feitas pelos próprios entrevistados, conversas feitas por telefones, por cartas, e-mails e parece que há um diálogo que acontece pessoalmente com a personagem Elspeth Martins. 

Isso acaba prendendo a atenção do leitor ao livro, por que em cada momento uma nova revelação é feita sobre a Quinta-Feira Negra e seus sobreviventes. Junto das entrevistas, na maioria das vezes, o que acaba tornando mais realista são os comentários irrelevantes feitos no meio pelos entrevistados.

O livro traz três teorias bizarras e tortuosas sobre as quedas: conspiração do Governo, arrebatamento e alienígenas. Uma crítica é construída em cima da criação das teorias, pelo fato de ser gerar todo um alvoroço em cima do acidente e dos sobreviventes que acaba levando a um final perturbador. Outra crítica é como há um aproveitamento das pessoas que estão ao redor do luto daqueles que perderam alguém.

Como os aviões caem em partes diferentes do mundo, a personagem que é a autora do livro mostra como os EUA, Inglaterra e Japão lidam com os seus sobreviventes e como foi o resgate de cada um. Até o suposto sobrevivente que vive na África, onde também caiu uma aeronave, é descrito com perfeição. 

Eu, particularmente, achei a narrativa dos regastes a mais emocionante. Principalmente, quando uma emprega doméstica descreve como foi ver a sua casa que fica em uma das favelas sendo destruída pela aeronave e a busca pela sua família. O livro não fica só em torno de quem sobreviveu, ele abrange tudo. Traz, também, a cultura de cada país, o que acaba te fazendo entender melhor o que levou aos acontecimentos finais.

Se conspiração e investigação fazem o seu tipo de leitura, Os Três é uma boa aposta. Mesmo tendo letras pequenas é uma leitura fácil e nem um pouco entediante, é necessário prestar um pouco mais de atenção por conta da quantidade de personagens e das quebras de entrevistas que o livro possui.



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