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Resenha: Criador e Criatura - Luigi Ricciardi



Criador e Criatura remete a um espelho, ao momento em que sujeito que cria e sujeito criado inevitavelmente se olham. As criaturas de Ricciardi são iconoclastas: não se contentam apenas em adorar seus criadores; ao contrário, apontam-lhes o dedo, expõem os momentos de preguiça e descuido de seus demiurgos. Os criadores, por sua vez, descobrem que também foram criados, que também são imperfeitas semelhanças de outros sujeitos – ocultos, indeterminados (e, em alguns casos, inexistentes). A brincadeira brinda o leitor com a sugestão de uma vertiginosa cadeia de criadores olhando não para os céus, mas para dentro de si e indagando-se sobre o que há por trás das teclas do Word do sujeito que os escreve. É um exercício admirável e primoroso de meta-literatura – e, claro, de literatura, com L maiúsculo, capaz de contornar Maringá com metafísicas, com metalinguagem. Com vida, Luigi Ricciardi é o dervixe atrás disso tudo. Reconhece-se criador, mas não nega sua condição de criatura: eis aí a grande potência do livro. Se, em alguns casos, o autor se coloca como sujeito criado, rebelando-se e colocando em xeque a existência de um paraíso além-vida, em outros, Ricciardi exerce com domínio a arte da criação. No conto que dá nome ao livro, Ricciardi descreve o delicioso e angustiante jogo de xadrez entre inventor e invenção. O diálogo preciso (e é possível dialogar com aquilo que criamos?), o fluxo de consciência, a rédea e o controle da situação demonstram um autor estudioso, dominador de intrincadas técnicas literárias. E, se possui a técnica na rédea curta em uma mão, na outra não se deixa levar pela sisudez: brinca com mestres literários, desfila com personagens maringaenses, com futebol, com amores e elegias sobre ruas da infância.


Nesse livro o autor, Luigi Ricciardi, desafia os limites da ficção ao colocar o escritor e seus personagens frente a frente. O livro é composto por dezessete contos onde o autor coloca o escritor como alguém que brinca de ser Deus, sem ter-se em conta a realidade ou a fantasia.
Antes mesmo de ler o livro eu já tinha uma vaga ideia sobre como iria me sentir ao lê-lo, pois existem resenhas muito boas sobre o mesmo, mas decidi me arriscar e percebi que o livro não é realmente parte do que me interessa. Só que é muito bem escrito e para quem gosta será um prato cheio.

Vou falar brevemente de alguns contos.

O primeiro conto, Criador e Criatura, que inclusive dá nome ao livro, o elo entre o criador e sua criatura é rompido a partir do momento que esta percebe seu papel e se rebela contra ele, passando a ser criadora.

No conto Eu, Literatura, que trata de elementos como a vida e a morte e muitos outros conflitos da humanidade tão opostos quanto. Trata também como escritor ao escrever deixa algo eterno após si, sua obra, suas palavras.


No Agora e Na Hora de Nossa Morte o criador é a própria morte e determina o destino de todas as suas criações, e no fim sempre temos o mesmo resultado, um encontro marcado com nosso criador.

O conto O Comedor de Barrigas, que foi o que mais gostei, ele utiliza bastante a influência do Poe e do Lovecraft para criar algo bastante mórbido. Mas aqui além do macabro, o autor introduziu um quê de humor e suspense. Esse conto me ganhou, admito!


No conto Eu Desejava Secretamente Gisella Andrade, o autor vai além de demonstrar o desejo carnal para com a Gisella, ele mostra que o mundo não é para os bestas e inocentes, mas sim que se você não for atrás fica só no desejo e nada muda, só para as outras pessoas a sua volta.

Em Os Mortos de Treeway Town, o autor escreveu em cada parágrafo uma história diferente dos demais parágrafos. Em cada um deles temos pessoas que buscaram viver com dignidade, mas que encontram obstáculos em seus caminhos, humilhações, violência, necessidades...

Em Três da Manha no Jardim dos Condenados o autor aborda sobre o tempo que é implacável e não dá tréguas a ninguém, passando para todos de forma igual, independente se você o aproveita ou se está preso num ambiente em que tudo é para ontem e não há tempo para nada.


No conto Paralelos o autor nos mostra sobre universos paralelos e em como cada um deles podemos ser ou agir de modo diferente desse em que vivemos atualmente, mas de qualquer forma, onde quer que estejamos não passamos da criatura de alguém, nem que seja de nós mesmo.

No fim não me decidi se gostei do livro como um todo, mas gostei de alguns contos e desgostei de vários outros.

E repito que apesar de não ser algo que caiu totalmente em minhas graças, não quer dizer que será uma experiência não tão legal para todos. Dessa forma o recomendo a quem gosta de questionar quem somos, o que pretendemos e qual nosso papel.