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Resenha: Fragmentados - Neal Shusterman






Em uma sociedade em que os jovens rejeitados são destinados a terem seus corpos reduzidos a pedaços, três fugitivos lutam contra o sistema que os fragmentaria . Unidos pelo acaso e pelo desespero, esses improváveis companheiros fazem uma alucinante viagem pelo país, conscientes de que suas vidas estão em jogo. Se conseguirem sobreviver até completarem 18 anos, estarão salvos. No entanto, quando cada parte de seus corpos desde as mãos até o coração é caçada por um mundo ensandecido, 18 anos parece muito, muito longe. O vencedor do Boston Globe-Horn Book Award, Neal Shusterman, desafia as ideias dos leitores sobre a vida: não apenas sobre onde ela começa e termina, mas sobre o que realmente significa estar vivo.


"Fragmentados" foi escrito por Neal Shusterman, traduzido por Camila Fernandes, e publicado no Brasil em 2015 pela Editora Novo Conceito. A obra possui 320 páginas divididas em sete partes que se subdividem em 69 capítulos. Trata-se de uma obra do gênero distopia. O livro foi cedido ao blog em parceria com a Editora.

A narrativa é feita em terceira pessoa e cada capítulo leva o título de uma situação ou personagem que é o tema central daquele momento. A edição está super simples, porém, agradável. As páginas são amareladas e a fonte possui um bom tamanho e espaçamento ideal. Encontrei apenas um erro durante toda a leitura, e por ser um erro de digitação e não gramatical, foi um deslize ínfimo diante da grandeza da obra.

Como toda boa distopia, "Fragmentados" nos apresenta um mundo pós-guerra onde havia dois lados: o pró-escolha e o pró-vida. Esses posicionamento se referem ao aborto: o primeiro defende que é escolha dos pais abortar ou não; enquanto este defende a vida e alega que não deve haver abortos.

Após o fim da guerra, e após muitas discussões, os dois lados pacificaram-se diante de um acordo que agradou ambos os lados: a fragmentação. A fragmentação nada mais é do que morrer e continuar vivo. Bom, eu te explico melhor! Como dito anteriormente, esse processo foi um acordo que pacificou os dois lados da guerra. Então, até os 13 anos a vida humana deve ser mantida a qualquer custo (lado pró-vida). Entre os 13 e 18 anos os pais podem escolher abortar retroativamente (lado pró-escolha/fragmentação) seus filhos. 

Ao fragmentar uma pessoa, como o próprio nome já diz, o corpo do fragmentário é divido de maneira que suas partes vão para pessoas que precisam. Por exemplo, vamos supor que eu fui atacada por um tubarão e perdi um braço. Esse problema pode ser resolvido com uma cirurgião que colocará o braço de um fragmentário em meu corpo. 

O problema é que essas partes do corpo vem com a memória do antigo dono - o que pode ser ótimo, pois você pode herdar seus dons, ou muito ruim, porque a maioria dos fragmentados são pessoas rebeldes ou criminosos. O processo de fragmentação é um mistério, ninguém sabe como acontece - exceto por aqueles que realizam o processo.

Em um primeiro contato com a leitura, os termos fragmentação e batedores, por exemplo, dentro muitos outros conceitos que compõem a estória, ficaram muito abstratos e confusos. Porém, na medida que a leitura avança, esses conceitos são esclarecidos e definidos. 

Na obra, os personagens principais são Risa, Lev e Connor: todos sentenciados à fragmentação. Os personagens são muito bem construídos, cada um leva uma grande bagagem e vida nas costas e o autor consegue deixar isso muito claro em sua narrativa.

O que mais me agradou nessa obra é a profundidade com que os temas foram abordados: a existência da alma, o valor da vida, o objetivo de cada um aqui na Terra. Em 320 páginas o autor consegue mesclar diversos acontecimentos e todos eles tem relevância no desenrolar do livro. Não há pontas soltas. Todos os acontecimentos são pertinentes e se conectam mais cedo ou mais tarde. E ao final, o autor deixou bem claro como cada personagem do livro acabou. 

Outro ponto positivo é que há romance na medida certa nessa obra! Detesto distopias que acabam dando enfoque ao amor lenga-lenga do casal da trama e acabam desviando o foco do que realmente é interessante na obra. Não que eu não gosto de romance, claro que gosto! Mas gosto quando o gênero é especificamente romance, pois desse modo já sei do que a obra se trata.

Adorei a crítica social presente nas entrelinhas. É interessante associar o comportamento do mundo distópico com os acontecimentos recentes do nosso país. Além disso, uma coisa muito interessante é o fato de que ninguém no livro quer ser responsabilizado por nada. É sempre culpa do vizinho, do amigo, da mãe, do tio, do governo... A hipocrisia rola solta nesse livro!!

E o fim... Gente, o que falar do fim desse livro? Estou impressionada com a capacidade da mente de Neal Shusterman! O cara manda muito bem. O final é devastador e surpreendente. Novo Conceito, quero mais livros dele, por favor! hahah

Recomendo a obra a todos os amantes de distopias e a todos que apreciam uma obra perfeitamente calculada e desenvolvida.