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Resenha: A menina que tinha dons - M. R. Carey









A Menina Que Tinha Dons – do cultuado autor de quadrinhos e roteiros da Marvel e da DC Comics, entre eles algumas das mais elogiadas histórias de X-Men e O Quarteto Fantástico, o britânico M. R. Carey apresenta uma trama original e emocionante em sua estreia como romancista com A menina que tinha dons, lançamento do selo Fábrica231. Aclamado pela crítica, o livro se tornou um best-seller imediato na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos ao contar a história de Melanie, uma menina superdotada que faz parte de um grupo de crianças portadoras de um vírus que se espalhou pela Terra e que são a única esperança de reverter os efeitos dessa terrível praga sobre a humanidade. Uma comovente história sobre amor, perda e companheirismo encenada num futuro distópico. 
Antes de realmente entrar na história do livro vou falar sobre o Ophiocordyceps unilateralis que, apesar de ser um fungo, suas habilidades são extremamente violentas e invasivas. Como esporo ele é milimétrico e facilmente levado pelo vento até encontrar seu hospedeiro que, ao ser encontrado, o fungo se infiltra e sua primeira providência é assumir o controle sobre os músculos e o sistema nervoso central. A formiga passa a ser uma espécie de zumbi com andar trôpego e cujo objetivo se resume em se alimentar e procurar um ambiente ideal para o crescimento e futura reprodução do fungo. Após certo tempo a formiga finalmente morre e o fungo, já amadurecido, faz com que saia da cabeça da formiga uma haste cheia de novos esporos prontos para serem soltos na natureza.

Agora imaginem que esse fungo sofreu uma enorme mutação e passou a ter como hospedeiros os seres humanos ao invés das formigas mas, causando-lhes o mesmo efeito de “zumbificação”. Essa é a premissa de A Menina Que Tinha Dons.

Desde que conheço A Noite dos Mortos Vivos, de George Romero, onde foram criados os zumbis comedores de carne (e cérebros) que temos hoje em dia, não havia conhecido zumbis tão peculiares quanto os descritos aqui por M. R. Carey.

O mundo pós-apocalíptico criado nesse livro é bastante original, de leitura fluida e fácil (li as últimas 150 páginas em 2 horas durante a madrugada). Os ambientes são muito bem descritos e os personagens principais bem desenvolvidos. Principalmente os famintos (como são chamados os infectados), que possuem uma ânsia interminável de alimentarem-se de carne (a única coisa que digerem é proteína) e são movidos principalmente por isso, são verdadeiros maratonistas, incansáveis e mais rápidos que o ser humano. Eles podem perceber sons, odores e calor corpóreo que são como gatilhos para ativar sua gana sobre os humanos.

A menina citada no título da obra se refere à Melanie, uma garota superdotada de dez anos que nunca conheceu nada além da rotina que está inserida desde que tem qualquer lembrança. Onde ela tem aulas com diversos professores, come, toma banho e dorme.

A história é contada em terceira pessoa, o que nos dá ciência dos pensamentos e sensações dos personagens principais, pois o livro foca-se principalmente na Melanie, em uma de suas professoras, a Srta. Justineau, o sargento Parks, o soldado Gallagher e a doutora Caldwell.

Não havia criado expectativas antes da leitura, pois não conhecia o autor (como romancista, porque ele já possui certa notoriedade como roteirista de HQ’s) e me surpreendi agradavelmente com a enorme qualidade da história contada... Não existem grandes doses de horror, mas é perfeitamente nivelada com doses de ação e de ficção científica, com um suspense perfeitamente colocado.

E que final!!!!! Totalmente impactante e, ao mesmo tempo em que é avassalador, é formidável e mostra que nunca devemos nos ater somente ao lado negativo das experiências vividas... Se eu recomendo? Absoluta e certamente!!!!!